Os dinossauros também entraram no jogo

Os dinossauros também entraram no jogo

Marcas não duram para sempre. Podem ser sólidas, mundialmente conhecidas, consumidas e imitadas em todo o planeta. Seus gestores também não são intocáveis. Os parâmetros mudaram e mesmo os medalhões do mercado – que pareciam inabaláveis – admitem a necessidade de inovar para manter a competitividade e a liderança frente à concorrência.

Para os mais resistentes, a ficha caiu de vez quando o ícone do conservadorismo Jorge Paulo Lemann reafirmou, em um evento público na capital paulista, a sua inquietação diante da rapidez das mudanças. De “dinossauro apavorado”, ele disse que evoluiu para “um dinossauro em movimento”, lutando para não se tornar um “dinossauro extinto”. A imagem é a perfeita tradução do conflito vivido pelo comando de grandes organizações para se adaptarem à nova realidade.

Diante das mudanças aceleradas e profundas no mundo dos negócios, Lemann percebeu, talvez a contragosto, que não basta ser o homem mais rico do Brasil nem referência de eficiência para jornais como New York Times e Washington Post. O tempo passa e as necessidades dos clientes também. E são eles que ditam as regras e dão as cartas do jogo do mercado.

O fundador e sócio do 3G – que controla empresas como Anheuser-Busch, Kraft Heinz e Burger King – admite que a forma de operar suas inúmeras empresas sempre se baseou na combinação de eficiência e gestão. Bastava isso. Afinal, o modelo dava certo há tempos, não havia porque mexer no time. Até o jogo começar a virar…

Agora, novas habilidades estão sendo exigidas e adicionadas às companhias, tanto na composição do portfólio de produtos quanto na forma de entregá-los ao consumidor. A fragmentação do mercado exige isso cada vez mais. Há novos nichos de consumo, com pessoas bastante exigentes e bem informadas querendo o novo. Não basta mais oferecer um produto, é necessário inovar e oferecer uma experiência marcante.

As empresas passaram a trabalhar majoritariamente com inteligência artificial e análise permanente de dados. A capacitação também subiu de patamar. Tudo ficou mais complexo e desafiador. Principalmente para os veteranos. 

Na nova cartilha que Lemann e tantos outros grandes empresários ainda estão construindo para seus negócios, a concorrência mudou de cara. Não são apenas os megagrupos que ameaçam, mas também as empresas de menor porte, aquelas que proliferaram e se firmaram no mercado a reboque da inovação e da ousadia. Por isso, não é mais suficiente comprar e assimilar as pequenas corporações, mas aprender com elas e reformular toda a cultura corporativa, buscar força jovem e democratizar os processos de decisão. Abrir mão de modelos caducos para, de fato, amadurecer e construir novos caminhos para o mercado.

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